terça-feira, 7 de julho de 2009

Nossa política


Os filósofos, historiadores, sociólogos, cientistas políticos e outros grupos de “pensadores” se debruçam há séculos, ou mesmos há milênios na busca do entendimento do que é a “política” e o “político”. Voltemos aos clássicos da antiguidade, do medievo e da modernidade, e veremos que a “política” quase sempre esteve presente nos debates, como um conceito a ser discutido ou explicado. Em cada época a política aparece sobre uma diferente perspectiva. Pois bem, o que seria a “política” na atualidade? A “política” que nos envolve nos jornais, revistas e no cotidiano, que política é essa?

Observo que a política no Brasil atualmente se resume em dois pontos: as eleições e os escândalos (não irei cita-los, acho que não cabe no blog...). As eleições como a “festa da democracia” ou a “festa do comodismo ”nacional (dependendo do ponto de vista). E os escândalos como frutos de um complexo e viciado “jogo” de interesses.

A eleição é o momento em que os homens da “política” correm para garantir um lugarzinho (ou lugarzão) no poder, fazendo de tudo para isso: caixa dois, estranhas alianças, pactos espúrios, compra de votos e até mesmo convencendo as pessoas a voltarem neles, seja por convicção ou falta de opção. No fim muitos alcançam o objetivo, eleitos ou nomeados (em cargos de CONFIANÇA). O que percebo é que as eleições não se relacionam em nada com a disputa entre projetos políticos diferenciados, alternativas ou continuidades embasadas, sobre visões diferentes e conflitantes do seria um país, um Estado e suas relações estruturais. Não, as eleições são apenas um disputado mercado dos cargos estatais e do controle do poder que emana deles (principalmente as nomeações e a manipulação financeira lícita e ilícita).

Os escândalos parecem ser o simples desvelar de relações políticas corrompidas e ilegais, quando os casos de corrupção vão à mídia, os acusadores e acusados, as pastas e os dossiês, as contas e as orgias... Exceções pontuais (para os “inocentes”!?!?) ou um produto da própria cultura e da mentalidade nacional, algo mais profundo, resultado de uma histórica má relação entre os “políticos” e a coisa pública, herança das práticas oligárquicas e patrimonialistas de nossos governantes.

Acredito que hoje os escândalos estão um pouco além da simples aparição pública dos “casos” de corrupção, há uma rede mais complexa, que liga todos os políticos, os partidos e a mídia (um não vive sem o outro), uma fabrica de escândalos. Funciona assim: todos têm rabo preso, mas em um momento ou outro de desavença um deles faz um dossiê, levando-o a mídia, que prontamente cria um espetaculo, daí os espectadores (nós) ficamos irados, queremos entender, abres-se uma CPI. Logo quem é acusado ameaça “contar tudo”, nós ficamos mais irados ainda, surge então outro escândalo, a velha CPI esfria (pois o causador do escândalo iria “contar coisas”), durante um tempo à mídia resmunga de mais uma pizza, para logo esquecer e entrar de cabeça em outro escândalo (a novela sempre acaba deixando outra em seu lugar). Por fim nós ganhamos dores de cabeça, gastrite e uma descarga de indignação interna e mais nada.

O maior e mais importante escândalo em nosso país, é o nosso entendimento e aceitação de que política se resume a eleição e a escândalo, o resto é conseqüência.

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