Tenho muita desconfiança sobre toda essa reverberação em torno da crise financeira mundial. Não estou dizendo que a crise não tenha importância, ou que ela seja um alarme falso, pelo contrário, e só olhar para ver o abalo no sistema de credito e produtivo que surgi sobre nossas cabeças como uma avalanche em câmera lenta. As ondas de demissões chegaram, a cada notícia transmitida pelos rádios, TVs e jornais, apresentam-se novos números referentes à indústria que no mundo inteiro demite ou coloca em férias coletivas centenas e milhares de operários. As crises são assim mesmo, primeiro engolem o sistema produtivo, depois vai o resto, o horizonte está meio nebuloso...
Os governantes do mundo todo buscam medidas e ações para minimizar os efeitos da crise, ou pelo menos remediar sua chegada à economia real, o que aumenta o prazo para que se possa efetivamente sair dela. Milhões e Bilhões de dólares são mobilizados pelos Estados em todo o globo para salvar a economia de mercado (que durante a crises parece não ter uma mão tão invisível e querer ser tão livre). Os grandes capitalistas tomam uma iniciativa: passam o chapéu para angariar dinheiro Estatal (com juros e prazos bem confortáveis). Ontem o Congresso estadunidense aprovou uma medida de salvamento que tem desenhado em suas linhas uma cifra de 800 Bilhões de dólares (nem sabia que existia tanto dinheiro no mundo...).
Voltando agora para minha desconfiança... Apesar da crise ser uma catástrofe econômica global, ela acaba se tornando por sua própria natureza, um ambiente privilegiado para certas medidas serem tomadas, medidas essas legitimadas por um discurso que já demonstrou ser falido, mas sempre está na pauta dos capitalistas. Dizem que o problema da economia, seja nacional ou internacional, é o excesso de leis que acabam atrapalhando o dinamismo do mercado de trabalho (traduzindo: querem acabar com as garantias mínimas que os trabalhadores conquistaram ao longo da história).
Apesar dos capitalista terem um excelente justificativa nesse momento para demitirem e jogarem na rua centenas de operários (que não são só números, mais seres humanos que tem famílias e dependem do emprego para sobreviver minimamente, pois dignamente já é difícil), eles também querem acabar com todas as garantias e proteções que o Estado ainda oferece ao trabalhador.
Os capitalistas que hoje exigem dinheiro do Estado (que até pouco tempo eles o satanizavam), é correm como bezerros loucos atrás das tetas estatais, são os mesmos que por ingerências e falsificações causaram a crise, ganharam milhões e bilhões inventando dinheiro, falsificando contabilidade e sonegando impostos. Minha desconfiança é nesse grupo, que enxerga o ser humano como número e tem a conta bancária como único objetivo de vida, esse caras conseguem impor esse discurso perverso, que acaba sendo engolido e digerido por todos, virando a formula mágica para sair da crise, que é repetida em todas as classes e esferas e tida como única e verdadeira solução possível. Esse discurso fundamenta-se no seguinte tripé: enxugar a maquina demitindo no limite do possível, sugar todo dinheiro estatal que vem para o socorro da crise e destruir todas as conquistas sociais e trabalhistas da população. A pior conseqüência que a crise pode trazer é tornar esse discurso vitorioso e hegemônico.
Hoje completam 10 anos da subida de Hugo Chávez ao poder na Venezuela, colocando um fim em mais de cinqüenta anos de dominação do COPEI e da AD, os dois partidos que se revezavam no Estado venezuelano e protagonizavam o poder político naquele país. A subida de Chávez marca uma nova era na sociedade venezuelana como um todo, rearranjando o cenário político, social, econômico e cultural da nação.

