Hoje completam 10 anos da subida de Hugo Chávez ao poder na Venezuela, colocando um fim em mais de cinqüenta anos de dominação do COPEI e da AD, os dois partidos que se revezavam no Estado venezuelano e protagonizavam o poder político naquele país. A subida de Chávez marca uma nova era na sociedade venezuelana como um todo, rearranjando o cenário político, social, econômico e cultural da nação.Mais do que se acusar ou se elogiar o governo de Chávez, devemos analisar e ressaltar a importância da existência dessa experiência política, que surgiu em um momento de trevas da política internacional (anos 90), onde se parecia não haver mais alternativas a economia neoliberal (que hoje se mostra fracassada) e sua globalização excludente, que ecoavam como a única e verdadeira voz. Nesse cenário mundial surge a figura de Chávez.
Chávez não aparece apenas como uma alternativa nacional, mas como uma importante referencia internacional, principalmente para a América Latina. Sua subida ao poder e sua aparição internacional, a partir de suas posições políticas, programáticas e pessoais, dão um importante fôlego para constituição de uma nova situação política, que supera a mesmice, a hipocrisia e subserviência do momento anterior.
Não estou defendendo a política chavista, apenas estou apontando como foi e é importante a existência de personalidades como a de Hugo Chávez, que por sua postura não alinhada, conseguem forjar uma situação onde muitas mascaras caem, e a cômoda hipocrisia, tem de se posicionar diante de propostas que até certo ponto fogem da agenda do establishment. Por exemplo: muitos defensores árduos da democracia foram a favor ou coniventes ao golpe de 2002, que tentou derrubar o governo democraticamente eleito de Chávez. Outro exemplo: criticou-se muito Chávez por ter caçado o direito público de transmissão da rede de televisão RCTV, sendo que países como a Inglaterra e os Estados Unidos, tem tal ação como prática rotineira. As mesmas pessoas que criticaram Chávez por autoritarismo e perseguição parecem desconhecer as torturas praticadas em Guantânamo.
Assim podemos ver como Chávez traz a tona uma centena de paixões e ódios, que em um ambiente de hegemonia e unilateralimo, nunca se aflorariam, e estariam escondidos por traz das mascaras políticas contemporâneas: democracia, pluralismo, igualdade de direitos e toda uma retórica liberal, que na prática dificilmente escapam ao autoritarismo, exclusão e o privilegio jurídico por meios econômicos e políticos.
Chávez talvez seja mais importante por acenar para a existência de possibilidades de transformações do que pelas próprias transformações propostas e praticadas por ele.


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