
Em seu discurso de posse Barack Obama conclamou todos os fantasmas e mitos americanos, dos “fundadores da pátria” aos “homens e mulheres que trabalham na escuridão anônima”, esbravejou contra “os que preferem o lazer fútil ao trabalho árduo”, tudo isso para reconfortar e reanimar a nação norte-americana, em um momento extremo de crise. A crise é o momento de revalidação dos mitos e o período de se reviver seus rituais.
Todos esses mitos e fantasma podem ser excelentes propulsores de mudanças e melhoras, ou podem se transformar em caricaturas retóricas de um desastre político. Esses dois caminhos opostos estão presentes na História norte-americana e fazem parte da própria natureza genética dos discursos e sermões, que estão enraizados na velha herança puritana estadunidense, que conclama a “vitória glorificante” ou a “derrota humilhante”, nesse sistema dual as coisas são simples: ou você é um vitorioso ou um perdedor, não existem possibilidades medianas e razoáveis, tudo está disposto nos extremos.
O que se pode esperar da “Era Obama”? Qual será o resultado das esperanças depositadas e das expectativas geradas pelo novo governo?
A resposta pode ser difícil, mas com certeza está limitada às duas alternativas que compreendem a lógica estadunidense: o triunfo ou a derrota total, não há espaço para o meio termo. As analises sobre Obama serão simples: ou ele será lembrado como um vitorioso ou como um “loser” canastrão.
Assim Obama que utiliza a seu favor toda lógica e a mentalidade estadunidense, descarregando a retórica norte-americana contra seus inimigos, pode futuramente ser vitima de suas próprias palavras. Não existe um proprietário para as palavras e os símbolos, pois estes são apenas ferramentas utilizadas na luta pelo poder, e estão à mercê das vicissitudes da História.


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