sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O dilema da música no presente



Música idiota sempre existiu, música virtuosamente sem intenção musical também. Mas o que parece é que hoje não temos muita escolha, ou você se contenta em reduzir seu gosto musical a composições medíocres, ou cai no circuito das músicas virtuosas que de sentimento e expressão artistica também não tem nada.
Dentro do cenário da mediocridade por exemplo, temos as bandinhas de rock armadas pelas gravadoras e mtvs da vida, que são formadas por caras trintões e quarentões, que em suas letras tematizam assuntos que dificilmente alguém com mais de 20 anos pode achar interessante. Também temos a tradicional mpb (música pornográfica brasileira) que incluem as bandas de axé, funk, forró e outras subcategorias. As cantoras de voz alta e roca , que sinceramente tenho dificuldade de saber quem é quem, além de uns velhos roqueiros que ficaram caretas e chatos, eles deveriam ter morrido a uns 30 anos atrás, para entrarem para história como heróis.
Por ai segue o nosso cenário da musica popular....


Por um outro lado temos a ascensão em meios restritos do que aparentemente seria a alternativa ao cenário majoritario. De um lado teriamos o underground, caso esse não tivesse virado uma piada, "todos" os alternativos querem aparecer na mtv, na trama, na deck, locais das "coisas alternativas", os caras estão esquizofrênicos pelo "mainstream cult\alternativo\underground", prefiro passar por cima de um assunto tão abestalhado. O que me interessa são os ditos salvadores da música atual: os músicos virtuosos e puristas, com suas chatices músciais, que não passam de pieguismo musical. Eles vivem criticando o cenário musical atual, mas ao meu ver o que eles propõem parece ser pior do que esta posto. Eles estão em vários meios : gospel, heavy metal, jazz, fusion, instrumental e rock no geral. Com toda as suas técnicas e velocidade, não conseguem construir uma música que possa realmente atingir o coração da nossa realidade material, psicológica e social. Tocam tantas e tão difíceis notas e arranjos que fica difícil entender, solos tão velozes que passam desapercebidos de uma constituição melódica acessível. As letras ... não precisa nem dizer, quando estão lá, pouco tem a dizer de relevante em meio a um emaranhado técnico-musical. Será que a condição técnica de se manipular o instrumento é mais importante do que uma simples melodia ? Uma letra poética ou explosiva não supera o preciosismo das complexas estruturas harmónicas ?


Em meio aos novos tempos vou continuar a escutar musicas como Hoochie Coochie Man ( Muddy Walters), Asa Branca ( Luis Gonzaga), Saudosa Maloca (Adoniram Barbosa), Anarchy In The U.K. ( Sex Pistols), Space Oddity (David Bowie), S.O.S (Raul Seixas), O Adventista ( Camisa de Vênus), Lithium (Nirvana), Teenage Riot ( Sonic Youth), Arueira ( Geraldo Vandre), Cristina ( Tim Maia) entre dezenas de outros artistas e obras fantásticas, que ultrapassam tudo que há de novo, com poucos acordes e muita intenção e sentimento ...

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